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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Arte para ver e sentir

Artista plástica Graça Soares abre exposição “Outros Sentidos” que propõe experiência colaborativa com obras sensoriais que dialogam artes plásticas, inclusão e sustentabilidade.
A vernissage acontece nesta quinta-feira (12),
na Galeria do Sesc, na Av. Gomes de Castro, 132, Centro.

Ver com o corpo, olhar com os sentidos. Possibilitar a ampliação da experiência estética do público em diálogo com valores mais comunitários de consumo consciente com reaproveitamento de materiais e texturas da natureza. Com essa proposta, a artista plástica e educadora Graça Soares, abre a partir das 18h30 na Galeria do Sesc Deodoro, a exposição “Outros Sentidos”. A proposta da exposição é levar as pessoas para dentro do ambiente de criação de forma acolhedora, para que elas vejam e sintam todo o processo de produção, os materiais utilizados. Ao todo, dezoito obras sensoriais e peças de artesanato sustentável, feitas com fibras de bananeira, de tucum, de quiabeiro, vinagreira, lonas de caminhão entre outros estarão em exposição. O conceito “Outros Sentidos” propõe o diálogo sensorial tanto pela via do corpo quanto da consciência ambiental no uso de matéria-prima do artesanato sustentável. A exposição é tanto os outros sentidos que se dá ao material, por utilizar aproveitamento de materiais, como lona de caminhão, fibras naturais, e, ao mesmo tempo, na intenção de aguçar os vários sentidos das pessoas, que é algo muito presente no cotidiano da artista.
Da cidade para o campo
A história de Graça Soares no uso de fibras naturais em suas obras teve início há 20 anos, a partir de um projeto de pesquisa monográfica para o curso de Educação Artística, da Universidade Federal do Maranhão, intitulado “As fibras naturais no processo criativo da Arte Educação”. Durante o processo de pesquisa, com abordagem multidisciplinar, a artista reuniu um grupo de crianças de Mojó, comunidade rural da cidade de Paço do Lumiar, com crianças de escolas particulares de São Luís, na faixa etária de 8 a 15 anos, para conviverem juntas, durante oito dias, dentro de uma casa de taipa, de forma comunitária, dividindo tudo, do espaço à comida, das visões de mundo às trocas culturais. "Foi difícil misturá-los. As diferenças sociais eram muitas e elas tinham que compartilhar tudo. No final, o resultado tanto artístico quanto de experiência de vida foi maravilhoso”, comentou Graça Soares. O resultado final foi a produção de telas com uso de fibras de bananeiras, a partir de metodologia própria, que despertou também o interesse das mães das crianças da comunidade. As mulheres aprenderam a técnica e começaram a produzir suas próprias peças artesanais. Os laços com a comunidade foram se fortalecendo e Graça Soares decidiu morar em Mojó, em terreno doado por uma das artesãs da comunidade, onde ela construiu uma casa de taipa com palhas, chão batido e iluminação a base de lamparinas.
A casa se tornou um lugar de vivência comunitária. Além da experiência estética e sustentável, a artista também insere uma atitude política de visão comunitária e ambiental junto à comunidade, com a criação da ONG Arte Mojó. “Quando chamei os voluntários para compor a Ong Arte Mojó, juntei pessoas da cidade com pessoas da comunidade. Hoje, eles têm trabalho independente. As mulheres fundaram um grupo de artesãs, apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pelo Sebrae”, disse Graça. Além da produção artesanal, a artista ajudou a movimentar recursos e melhorias para a comunidade, com a implantação de sistema de transporte coletivo integrado, organização de reuniões e passeios na defesa do meio ambiente da região. “Fui até ameaçada de morte. Não levei nada para Mojó. Apenas mostrei a eles que podem ser independentes para buscar a melhoria do lugar com muita luta, respeito, trabalho e perseverança. Ou seja, aprendi ao longo do tempo que o principal objetivo da pesquisa era exatamente isso: ajudar a comunidade a buscar soluções sustentáveis para seus problemas com o uso da matéria prima que a própria natureza oferece”, ressaltou. O resultado da vivência da artista plástica em meio a comunidade se tornou a principal ferramenta metodológica e humana no seu processo particular de criação artística, e é a base ideológica dos produtos que serão comercializados no Ateliê Natural Arte.
Produção colaborativa
De volta a São Luís, a artista plástica decidiu fazer da casa um ateliê. Estabeleceu moradia e o trabalho se expandiu, tornou-se premiado e com novos interesses, direcionados a um trabalho mais texturizado e sensorial, para as pessoas com deficiência. A exposição “Outros Sentidos” marca toda essa trajetória da artista na relação com os objetos da natureza e seus novos significados também para a fruição das artes visuais e do processo colaborativo de produção artística, tanto no que diz respeito a uso de novos espaços quanto ao diálogo com o trabalho de outros profissionais sensíveis à proposta estética de Graça Soares.

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