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segunda-feira, 18 de junho de 2012

EXPOSIÇÃO: “ÍNDIA! – a sedução da imagem”



FOTOGRAFIAS de Zé Cavalcanti e Eugênio Araújo
Espaço JUS SARAU ( Rua João Vital, 101. Loja 06, Reviver, próximo ao Museu de Cultura Popular)
Abertura: QUINTA, dia 21/06/2012, 19h30 min

Será aberta nesta quinta, dia 21/06 a exposição “Índia! – a sedução da imagem”, fotografias dos artistas Zé Cavalcanti e Eugênio Araújo, na galeria do Espaço JUS SARAU. A decisão de explorar o universo folclórico, por vezes já tão desgastado partiu do próprio Eugênio, que tem uma visão muito crítica sobre o fenômeno: “ – O Folclore tem sido usado para muitas coisas no Maranhão e no Brasil, às vezes nem sempre benéficas. É preciso encontrar outras formas de lidar com essas manifestações, que ultrapasse o ranço patrimonilista e tradicionalista que domina o discurso sobre o folclore hoje. As manifestações populares também são dinâmicas, tem direito à mudança e à transformação, não podem ficar estáticas no tempo. As índias do nosso bumba boi encarnam bem esse espírito dinâmico: são os personagens que mais mudaram nos últimos anos, sem por isso desfigurar as brincadeira. Elas provam que a mudança pode ser positiva”.
Segunda Eugênio, essa mudança é sobretudo visual. Isso por si só já justifica uma investigação fotográfica sobre o fenômeno. A indumentária das índias mudou muito nos últimos anos. Há quem diga que sofremos influência do boi de Parintis, mas e daí? Que mal há em ser influenciado, sobretudo quando a influência é boa? Só o Maranhão é que não pode sofrer influência de ninguém? Seremos obrigados a professar eternamente uma falsa originalidade?” – indaga Eugênio. Bumba-meu-boi há no Brasil inteiro, só que com características diferentes. Muitos personagens são fixos como na estrutura da Commedia de L’arte italiana, e o índio aparece em todos os relatos, de norte a sul. O papel dele é de suma importância, pois é o pajé quem ressuscita o boi, morto por Pai Francisco na tentativa de apaziguar o desejo da esposa grávida. O boi é levado para floresta, domínio dos indígenas. Assim, sua presença no folguedo é obrigatória. São os índios quem procuram, acham e ressuscitam o boi perdido e morto para que a festa possa continuar.
O que aconteceu nos últimos anos foi a evidencia da feminilização deste personagem indígena. Hoje ele é representado preferencialmente por belas jovens de corpo escultural, que garantem o sucesso dos grupos. Cada boi se esforça por formar batalhões de índias cada vez maiores e a preocupação com a indumentária é primordial. A roupa de índia é uma das mais caras da brincadeira, já que é sempre muito emplumada e bordada. É nítida também a influência da estética carnavalesca sobre o folguedo junino. Segundo Eugênio Araújo, que também trabalha com carnaval, essa é uma tendência compreensível, pois a estética carnavalesca brasileira é muito forte e amplamente veiculada pelos meios de comunicação de massa, o que deve impressionar inclusive aqueles que não fazem parte do carnaval. As festas juninas estão mudando, pegaram algo do carnaval, estão se tornado cada vez mais sofisticadas, os arraiáis são cenográficos, as roupas são mais cheias de brilho e plumagem, tudo isso se insere dentro de uma perspectiva de crescimento e enriquecimento das classes populares brasileiras. Se o povo muda de condição sócio-econômica, é claro que suas brincadeiras também devem mudar. A figura feminina da índia representa bem esse processo de crescimento e mudança pra melhor. Tidas como “trunfos” dos conjuntos de bumba-boi, as índias encarnam o símbolo da mulher enquanto propriedade masculina (já que os donos e amos dos bois são sempre homens que se referem a elas como “nossas índias”), mas propriedade muito bem cuidada, enfeitada, endeusada, transformada em objeto de desejo que causa inveja. Muito da rivalidade entre grupos de boi se dá hoje entre grupos de índias, elas são o conjunto visual e coreográfico de maior impacto do folguedo.
Foram necessárias algumas estratégias para captar as imagens com a nitidez que essa sofisticação crescente requer. Os artistas montaram um mini-studio fotográfico nas proximidades dos arraiais e ali ficavam de tocaia esperando as índias, que eram convidadas a posarem para fotos depois das apresentações. “- Não queríamos fotos das índias em movimento, misturada com outros personagens e nem com o público. Quisemos criar propositalmente uma situação artificial de isolamento que pudesse destacar alguns pontos que consideramos importantes nesse processo de transformação. Por isso precisamos criar uma situação de iluminação eficiente, com fundo homogêneo, onde se pode fazer uma viagem visual bem detalhada pelos atributos das índias: sua juventude e beleza corporal, suas expressões faciais matreiras, suas roupas ricamente bordadas e emplumadas, sua alegria plena em participar da brincadeira. O fato de trabalharmos com fotos posadas não comprometeu em nada a espontaneidade das meninas, que chegavam para fotografar ainda em ritmo de dança. Assim produzimos imagens sutilmente diferentes daquelas que estamos acostumados a ver sobre índias de bumba boi. Nossas índias são atrizes, não apenas bailarinas, elas realmente encarnam e representam um papel, recuperando o sentido dramático da brincadeira, têm uma majestade e dignidade que a foto posada evidencia” - conclui Eugênio Araújo. Outro diferencial é que adicionamos algumas imagens de santos juninos em algumas fotos. Assim temos índias ao lado de Santo Antônio, São Pedro e São João, recuperando também o sentido religioso original do folguedo, ao mesmo tempo em que causamos alto contraste entre a imagem religiosa e a semi-nudez das meninas.
Eugenio e Zé Cavalcanti estão trabalhando juntos há algum tempo e adiantam que têm material para várias outras exposições sobre bumba-meu-boi: foram captadas imagens dos outros personagens (Vaqueiros, Amos, Catirinas, Cazumbás, etc.), além de detalhes dos bordados das roupas e uma série só sobre bordados de couro de boi. É esperar pra ver

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